| 29/06/2007 - Heterogenia na estética gay ou gaygenia na estética hétero |
Por Fer Já percebeu que a cada dia é mais difícil de identificar e diferenciar o hetero do gay? Pois é, agora tanto um quanto o outro tem corpo malhado, usa roupas de grifes, apertadinhas, são tatuados, falam gírias e têm peito depilado. Em academias, onde há alguns anos era ambiente quase que exclusivamente para homens heteros, hoje podemos encontrar em certos horários verdadeiros lounges gays. E em raves, por exemplo, onde encontramos rapazes bombados, de peitos depilados, usando roupas Calvin Klein, Armani, Dolce & Gabanna e muitas vezes sem camisa nos levaria a crer que são gays. E, é aí que nos enganamos. Esses dois segmentos que não freqüentavam os mesmo locais, agora, se esbarram o tempo todo. E então surge a dúvida: quem está imitando quem? Há alguns meses o jornal Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre esse mesmo assunto e entrevistou tanto gays quanto heteros para saber qual era a opinião de cada um. Eis algumas repostas: "Eles vêem que a gente é sarado, sabe se vestir, dançar, e está sempre rodeado das mulheres mais bonitas e desencanadas, e nos imitam para ver se conseguem se aproximar delas", diz Diego Tavares, dentista, homossexual. Em contra-partida, a posição dos heteros é outra: "A maioria quer parecer com a gente porque nos acha bonitos, e também para passar despercebida. Gay sente atração por ‘homem-homem’, não por bicha afetada", diz Fernando Piedade. E você, o que você acha? Talvez, não seja nada disso. Talvez, os gays estejam buscando ter o corpo que eles próprios se interessam. Talvez, os heteros estejam quebrando os preconceitos, buscando valorizar mais sua saúde física e sentindo-se livres para usar a roupa que quiser apenas por estética. Não sei. Só sei que agora tenho até medo de paquerar um cara e não saber se ele também está me paquerando ou me “intimando”, rs. Mas, o bom de tudo isso é que está havendo uma integração. O fato de o hetero e o gay dividirem o mesmo espaço, pode ser um sinal de que as coisas estão mudando. Pode ser que a tolerância esteja crescendo, que nós poderemos, um dia, nos sentar com nossos namorados em uma mesa de um shopping qualquer e trocar carinhos, assim como qualquer casal hetero faz. Sem o medo de que venha um segurança e nos peça para parar com aquele ato. Não sei o que está havendo, mas quero pensar que seja algo de bom. |
Conquista!!! Livre não sou, que nem a própria vida Mo consente... Mas a minha aguerrida Teimosia... É quebrar dia a dia, Um grilhão da corrente... Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino. E vão lá desdizer o sonho do menino, Que se afogou e flutua... Entre nenúfares de serenidade, Depois de ter a lua! Miguel Torga, in ‘Cântico do Homem’
domingo, 29 de agosto de 2010
Heterogenia e Gaygenia...
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